Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008
PRESIDENTE
DO STF, GILMAR MENDES, TEM OBJETIVOS POLÍTICOS
PARA EMILIANO
JOSÉ, AS DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE DO STF, GILMAR MENDES, TÊM
OBJETIVOS POLÍTICOS
Li ontem no site Terra Magazine o texto a seguir transcrito, de Emiliano José,
jornalista e escritor.
“O primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, pretendeu, na última semana
de agosto, solidarizar-se com o ex-premiê Romano Prodi,
que foi grampeado com autorização judicial no curso de uma investigação...
Houve arquivamento da investigação. A Justiça italiana concluiu pela inocência
de Prodi. E o grampo foi considerado uma
interceptação judicial abusiva. Berlusconi, então, deitou e rolou. Condenou a
legislação, os juízes, o grampo. E falou de uma lei em tramitação no Parlamento
italiano, que impedirá grampos em casos de corrupção ou de concussão (exigência
de vantagem financeira indevida). Uma lei feita para Berlusconi.
Prodi, honrando sua biografia, deu uma resposta que
deixou Berlusconi desconcertado. "Não gostaria que a artificial criação
deste caso político alimentasse a tentativa ou a tentação de dar vida a uma lei
sobre interceptações telefônicas que possa subtrair da magistratura um
instrumento que, em muitos caos, demonstrou-se indispensável. Da minha parte, não tenho nenhuma contrariedade ao fato de todos os
meus telefonemas serem tornados públicos". O episódio é contado por
Wálter Fanganiello Maierovitch, em Carta Capital de 10/9/2008. Pensei no
Brasil. No escândalo que se armou no pós-algemas e prisão de Daniel Dantas.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, depois dos dois
abusivos habeas corpus que beneficiaram Daniel Dantas, um deles, segundo tantos
juristas, absolutamente ilegal, começou a falar, em tom nitidamente
autoritário, num presumido Estado policialesco. A ofensiva do Judiciário ganhou
contornos nitidamente políticos, motivada essencialmente pela prisão de Dantas,
e voltada contra a correta ação da Polícia Federal, que vinha se notabilizando
no combate aos crimes de colarinho-branco, e contra a atuação de juízes que
também se dedicam a esse tipo de combate.
Está certo o juiz federal Sérgio Fernando Moro, da vara especializada no
combate à lavagem de dinheiro em Curitiba, ao ir na
contramão desse clima político artificial, criado pelo presidente do Supremo:
"Nós somos o país da impunidade mais do que qualquer outra coisa. Nesse
contexto de grande impunidade, especialmente em relação à criminalidade grave e
ao crime complexo, organizado, de colarinho-branco, me parecem assim sem base
empírica afirmações de que vivemos num Estado policialesco". É parte da
entrevista realizada por Claudio Leal.
A Associação de Juízes Federais divulgou nota de apoio ao juiz Fausto Martin De
Sanctis e a todos os magistrados especializados em
crimes financeiros e lavagem, contra quem se dirige de modo especial à atual
ofensiva. "Os ataques que têm sido feitos a essas varas e aos seus juízes
são a prova cabal de que o trabalho da Justiça Federal está incomodando quem
acreditava estar vivendo no país da impunidade" (Terra Magazine, 16/9/2008).
É preciso dizer mais alguma coisa?”