Desabafo
da ABIN
A Abin que alguns órgãos de imprensa
não conseguem - ou não querem - ver
Fabio
Rocha Lustosa
Oficial de Inteligência da Abin *
Gostaria de manifestar meu mais veemente repúdio à campanha de execração
pública que vem sendo patrocinada sistematicamente por vários órgãos de
imprensa nas últimas semanas contra a Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
. Não sei se tais veículos de comunicação já ouviram falar em ética
jornalística - ou mesmo ética, na acepção mais ampla do termo - mas os
acontecimentos recentes me fazem crer que a única coisa que interessa a tais
entes é, tão-somente, subjugar o órgão de Inteligência Federal brasileiro, por
meio da humilhação e do escracho. Me pergunto, pois: Qual a razão de tão infame
blitzkrieg? A quem interessa a desconstrução da Abin, e sua conseqüente
desmoralização, enquanto órgão de Estado essencial à preservação da soberania
de nosso País? À sociedade brasileira? Estou convicto que não.
É
inaceitável que alguns jornais e revistas, de forma maliciosamente desconectada
da realidade dos fatos, retratem a Abin e seus servidores como um bando de
renegados, patifes e criminosos sem compromisso com o País, colocando em dúvida
a idoneidade moral, ética e o profissionalismo de nossa instituição. Quem são
eles para submeter-nos ao vexame e à chacota públicas, sob o conveniente
argumento de "busca da verdade"? Quem são eles para mitigar a
honradez de profissionais de Inteligência que buscam dar o melhor de si pelo
País representando a Abin, no Brasil e no exterior, e são hoje alvo de
comentários depreciativos, desconfiança e repulsa, até mesmo no seio de suas
famílias? Quem são eles para nos atacar? Arautos da moral social a serviço do
Brasil? Na minha opinião, definitivamente, não!
Nas
últimas semanas, vem me causando particular preocupação o esforço quase
messiânico de alguns que, do alto de sua soberba jornalística, buscam reduzir a
Abin a uma espécie de cancro apodrecido, que merece ser extirpado sumariamente,
pelo "bem do País". Profissionais (sic) que vangloriam-se de haver
combatido no passado regimes ditatoriais, perseguições políticas e abusos de
poder em nome da democracia, mas que agora tentam massacrar impiedosamente uma
instituição criada no âmbito de um Estado Democrático de Direito, que existe e
funciona em estrita observância à Lei, e contra a qual sequer há prova
definitiva de erro de conduta por parte de seus servidores; apenas acusações,
suposições e especulações, algumas comprovadamente levianas. Ignorando
convenientemente tal fato, pessoas que se dizem a "serviço da
verdade" ocupam-se em julgar, condenar, e submeter ao escárnio popular a
Abin, e por extensão, todos os seus integrantes, em um atitude deplorável e
irresponsável que macula a imagem do órgão perante a sociedade brasileira e a
comunidade internacional.
Reputo
especialmente perversa e insidiosa a associação subliminar entre a Abin e o
Serviço Nacional de Informações (SNI), que muitos profissionais de imprensa
tentam, sempre que possível, manter viva no seio da sociedade, como se
estivéssemos todos fadados a carregar para sempre a pecha de "inimigos da
pátria", na forma de um fantasma que há muito tempo não mais pertence à
nossa realidade política e social. Sob idêntico diapasão, seria razoável nos referirmos
ao atual serviço de Inteligência federal alemão como o "sucessor" da
Gestapo, a polícia política de Adolf Hitler? Ou ao Papa Bento XVI, como o
"sucedâneo" dos pontífices que patrocinaram assassínios em massa em
nome da Inquisição e das Cruzadas?
Antes
de tentar impor à Abin o papel de "Caixa de Pandora" dos males da
Administração Pública e da sociedade, a imprensa que nos imputa tão descabido
ônus deveria reconhecer publicamente que os servidores que lá estão não são
criaturas das trevas desprovidas de moral e escrúpulos: São profissionais
profundamente comprometidos com a missão de ajudar o Brasil a se tornar uma
nação mais forte, justa e democrática. Fazemos isso assessorando o Governo
Federal, analisando políticas públicas, prospectando oportunidades para o
desenvolvimento do País, e detectando ameaças à segurança de nossa sociedade.
Mas fazemos tudo isso cientes - e atentos - às nossas limitações de natureza
legal.
É
importante ressaltar aqui que quando a Abin detecta erros de conduta no seio da
organização, estes são tratados com o rigor que a legislação disciplinar,
administrativa e penal assim o exige. Aqui não se fala em impunidade, muito
menos em acobertamento de ilícitos. Nós obedecemos a Lei, e nos orgulhamos
disso. Contudo, e diferentemente de certas revistas e jornais que difamam,
ultrajam e caluniam sob o argumento da "busca da verdade", procuramos
observar sempre os princípios jurídicos que regem o direito à ampla defesa, ao
contraditório, e à imagem dos acusados, sob os auspícios da chamada presunção
de inocência. Isso não é privilégio, tampouco corporativismo. É conduta ética e
observância de uma garantia prevista na nossa Constituição Federal. Garantia
esta que, talvez por razões "jornalísticas" de natureza
inconfessável, vem sendo sonegada à Abin.
A
Abin tem um compromisso com a verdade, com a sociedade e com o Estado
Brasileiro, e seus servidores são parte integrante e indissociável de tal
compromisso. Juntos, trabalhamos para construir um País cada vez melhor. Mas
decerto não tememos os abutres e hienas que rondam nosso caminho, pois eles se
alimentam de matéria podre. E isso nós não temos a oferecer.
Fabio Rocha Lustosa é Mestre em Estudos
de Segurança Estratégica pela National Defense University (NDU) - Washington
enviada por Luis Nassif