Dr.
Protógenes nega ordem do Planalto para investigar
Dantas
BRASÍLIA - O delegado Protógenes
Queiroz, antigo responsável pela Operação Satiagraha
da Polícia Federal (PF), negou, nesta quinta-feira, que o presidente Lula ou o
ex-diretor da PF e diretor afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, tivessem
ordenado qualquer tipo de investigação contra o fundador do grupo Opportunity, Daniel Dantas, preso e liberado em julho após
a deflagração da operação.
"A única situação que envolve o
gabinete do presidente da República é que o presidente da República Federativa
do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no Haiti, elogiou o nosso trabalho",
disse. "Em nenhum momento [o Lacerda orientou a investigar Daniel
Dantas]", completou.
A informação de que o Planalto teria
pedido a investigação de Dantas, em 2004, quando se
iniciaram as negociações para a fusão das companhias telefônicas Brasil Telecom
e Oi foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo. De acordo com o veículo, Protógenes teria feito tal afirmação em depoimento ao
Ministério Público sobre supostos abusos durante a Satiagraha.
As declarações do delgado foram dadas no
Comando Central Militar dos Bombeiros, onde ele recebeu a
medalha Francisco Mega, oferecida por seu trabalho no combate à corrupção.
Na ocasião ele criticou ações que estão sendo feitas com o objetivo de
desestabilizar instituições e proteger criminosos presos pela Satiagraha.
"O que eu tenho assistido de toda
essa discussão é o assassinato de reputação de pessoas e instituições sem que o
nosso trabalho fosse compreendido por aqueles que tinham o dever de
preservá-los. Fomos sucumbidos pela vontade de fazer acontecer, pelas vaidades
pessoais, emoções por parte de alguns, por conflitos e escândalos fabricados em
favor do crime e dos criminosos, sobretudo na prática, com a edição de atos insanos
em desfavor da segurança jurídica e da sociedade", disse.
Protógenes disse que os "atos insanos"
são os responsáveis pela crise institucional vivida hoje pelo País, que se
iniciou com a descoberta de um suposto grampo telefônico do presidente do Supremo,
ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Nesse caso, a Abin, que teve mais de 50 agentes
colaborando com a Satiagraha, é a principal
suspeita.
Apesar de toda a instabilidade, Protógenes disse confiar no senso da população. De acordo
com ele, o debate público sobre a Satiagraha não pode
ser evitado e é o maior que o País já assistiu. O delegado disse ainda que a
sociedade está indignada com a impunidade dos
acusados.
"O resultado
positivo que eu tenho observado, e eu classifico isso à postura e à
manifestação do consciente coletivo, apesar das notícias e das informações
injuriosas plantadas por alguns, o sentimento do cidadão e da sociedade em
geral é de indignação e repulsa a tais atos, lançados de forma leviana por
acreditar no compasso da impunidade ou de privilégios de poucas pessoas com
certas prerrogativas.
Mas uma certeza que temos é o debate público, este ninguém cala",
disse.
Por fim o delegado disse acreditar que os
investigados da Satiagraha serão punidos e que ao final
de todo este processo o Brasil será um País "melhor".