Líbano: a carta dos 18 escritores.
Transcrevo aqui carta contra a invasão do Líbano e a tentativa continuada de
“liquidação da nação palestina”, assinada por 18 escritores, entre eles três
vencedores do Prêmio Nobel, que foi reproduzida em vários jornais do mundo,
entre eles Le Monde, El
Pais, The Independent, La Republica e The Nation.
“O último capítulo do conflito entre Israel e a Palestina começou quando as
forças israelenses sequestraram de Gaza dois civis,
um doutor e seu irmão.
Um incidente muito pouco reportado, exceto na imprensa
turca.
No dia seguinte, os palestinos fizeram prisioneiro um soldado israelense
– e propuseram a troca negociada contra palestinos presos por Israel. Há,
aproximadamente, 10 mil em cadeias israelenses.
Esse sequestro foi considerado um ato de extrema
violência, enquanto a ocupação militar ilegal da Cisjordânia e a sistemática
apropriação de seus recursos naturais – mais particularmente da água – pelas
forças de defesa israelenses, embora lamentáveis, são consideradas um fato da
vida real, é típico dos padrões assimétricos repetidamente empregados pelo
Ocidente em relação a tudo que tem acontecido aos palestinos, na terra a eles
destinada por acordos internacionais, durante os últimos 70 anos.
Hoje um ato violento segue outro; mísseis precários cruzam com outros
sofisticados. Estes últimos normalmente encontram seu alvo onde as populações
pobres e deserdadas vivem, esperando por aquilo que uma vez foi chamada
justiça. Ambas as categorias de mísseis explodem os corpos horrivelmente --
quem, a não ser os comandantes de campo, pode esquecer isso por um momento?
Cada provocação e contra-provocação é contestada e
defendida. Mas os subseqüentes argumentos, acusações e promessas de vingança,
tudo serve para distrair a atenção do mundo de uma prática de longo prazo --
militar, econômica e geográfica -- cujo objetivo político é nada menos do que a
liquidação da nação palestina.
É necessário dizer alto e claramente, que essa prática, apenas parcialmente
explicitada e freqüentemente escamoteada, tem avançado rápido nesses dias e, em
nossa opinião, é necessário, sempre e incessantemente, reconhecer isso e resistir.
PS: Como Juliano Mer Khamis,
diretor do documentário Os Filhos de Arna,
perguntamos: “Quem vai pintar a Guernica do Líbano?”
Assinam a carta:
John Berger,
Noam Chomsky,
Harold Pinter,
José Saramago,
Eduardo Galeano,
Arundhati
Roy,
Naomi Klein,
Howard Zinn,
Charles Glass,
Richard Falk,
Gore Vidal,
Russell Banks,
Thomas Keneally,
Chris Abani,
Carolyn Forch,
Martia Espada,
Jessica Hagedorn,
Toni Morrison.
enviada por Zé Dirceu
Rio,
22 de Agosto de 2006