Justa indignação – Agência Brasil, órgão público de interesse coletivo, pauta suas
notícias e debates pela mídia comercial e seus interesses e demandas, em vez de
pautar-se pelo interesse público e coletivo
Prezado Sr. Walter
Informamos que a Coluna do Ouvidor da Agência
Brasil, Paulo Machado, publicada em 04/09/09 aborda o tema suscitado pelo
senhor no e-mail que nos enviou referente à matéria "Lula assina em reduto
eleitoral de Evo Morales para construção de
rodovia" de 22/08/09.
Segue a transcrição na íntegra da referida Coluna que também poderá ser
visualizada no link http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/09/04/materia.2009-09-04.4908420580/view
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"4 de Setembro de 2009 - 09h56 - Última modificação
em 4 de Setembro de 2009 - 15h01
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Brasília - Quais são os referenciais de uma agência
pública de notícias? O leitor Geraldo Brasil Silvério escreveu: “Quero
transmitir meu protesto em ver que a Agência Brasil, órgão público de
interesse coletivo, pauta suas notícias e debates pela mídia comercial e seus
interesses e demandas, em vez de pautar-se pelo interesse público e coletivo.”
A Agência Brasil respondeu que: “agradecemos a
colaboração do leitor mas discordamos da sua opinião
em relação à Agência Brasil”. Todavia a ABr não informou por que
discorda. Já o leitor João Carlos foi mais específico em sua
mensagem: “A reportagem da Agência Brasil sobre o fim da marcha dos
movimentos sociais em Brasília foi um exemplo de como a mídia é
sensacionalista usando como manchete "Manifestação do MST em Brasília
termina sem conflitos". Os grifos são do leitor. A Agência Brasil não respondeu a mensagem mas modificou o título da matéria tirando a citação ao
“reduto eleitoral”, sem informar aos leitores que procedeu tal modificação. No entanto, no primeiro e no segundo parágrafos, a notícia
destaca: “A visita de Lula à Bolívia acabou se transformando em festa no
reduto eleitoral de Evo Morales, que está em plena
campanha para a reeleição.” Ao definir sua pauta, uma agência de notícias diz ao
leitor quais assuntos considera importantes para sua informação. Ao definir
os enfoques e as possíveis abordagens de um assunto ela procura chamar a
atenção do leitor para os aspectos que considera relevantes nos fatos
reportados. Ao editar as matérias e colocar os títulos ela ressalta as
informações mais importantes das notícias. Cada etapa dessas do processo de
produção da informação jornalística deve estar baseada em critérios
estabelecidos a partir do referencial maior da comunicação pública – o
interesse público. Na matéria Manifestação do MST em Brasília termina sem conflitos,
publicada dia 14 de agosto, a ABr procurou chamar a atenção do leitor
para o que não aconteceu, ou seja, a ausência de conflitos, o que podemos
considerar a não notícia. Ao destacar no título da matéria um fato que
não aconteceu a Agência Brasil revelou o que esperava que acontecesse
e ao agir dessa maneira deixou claro para os leitores qual o seu referencial
“manifestação de movimento social é sinônimo de conflito.” Pelo menos
foi essa a interpretação do leitor. Por que a Agência Brasil destacou que a
manifestação “sem conflito” era do MST e não de movimentos da sociedade civil
organizada conforme cita no texto da reportagem? Por que associar conflito e
MST? Essa associação estava presente nos fatos ou no tipo de referencial que
a ABr adota em relação às manifestações populares? Qual o referencial que a Agência Brasil adotou ao
destacar o lugar onde o presidente Lula assinou o acordo com a Bolívia, e não
o acordo em si, no título da matéria Lula assina em reduto eleitoral de
Evo Morales acordo para construção de rodovia?
Por que o fato político do presidente Evo Morales
estar em campanha eleitoral deve prevalecer sobre o fato diplomático de
cooperação internacional entre o Brasil e a Bolívia? Qual dos dois fatos
interessa mais ao público brasileiro? Quais os interesses nacionais que estão jogo? O fato do presidente Evo
Morales encontrar-se em campanha para reeleição é uma informação
importante para o leitor saber em que contexto político foi assinado o acordo
e mereceria ou uma matéria específica tratando do tema, ou um parágrafo
dentro da matéria sobre o acordo, mas não como o lead da notícia. Ao
colocar os dois assuntos: acordo bilateral e campanha política, em uma única matéria , dando destaque a esta última, a ABr não
teria inferido a existência de um vinculo político local para o encontro
entre os dois presidentes? A reportagem apurou a existência desse
vínculo e a confirmou ou simplesmente deduziu por conta própria? Ao destacar que o presidente Lula esteve no reduto
eleitoral do colega a ABr não dá a entender ao leitor que o objetivo
da viagem do presidente foi participar da campanha política no país
vizinho? Qual o referencial que a agência adota em relação à
política latino-americana para noticiar o fato dessa maneira? A construção de
uma rodovia que proporcione uma saída do Brasil para o Pacífico não é um fato
relevante o suficiente? Em que medida esse acordo pode alterar a situação
geopolítica da região? A construção de referenciais baseados em princípios e
objetivos da comunicação pública poderia evitar que certos assuntos fossem tratados
da maneira como foram. Esses referenciais geralmente fazem parte de planos
editoriais e manuais de redação que podem ajudar a prevenir certos problemas
que eventualmente venham a comprometer a credibilidade do veículo de
comunicação e de seus profissionais. Na ausência desses instrumentos
editoriais as redações podem se nortear por referenciais alheios à
comunicação pública cedendo à hegemonia da agenda de grupos dominantes e de
sua visão preconceituosa sobre determinados assuntos – pelo menos é esse o
entendimento de alguns leitores. Nas próximas três semanas o ouvidor estará de férias.
Voltaremos com nossas colunas semanais a partir do dia 2 de outubro. Até lá." |
Mais uma vez
agradecemos sua participação e nos colocamos sempre à disposição.
Atenciosamente,
Carolina Farah
Assessora da Ouvidoria da Empresa Brasil de Comunicação – EBC
Nota Belaspalavras:
A Agencia Brasil apenas continua defendendo sua
posição ENVIESADA para uma agencia de noticias publica e séria, de INFORMAR e não
DEFORMAR a
noticia.
Querem justificar SIMPLESMENTE SEGUIREM A MIDIA
COMERCIAL – DEFENDENDO ASSIM ESTA e DESPROTEGENDO O CIDADÃO, não
informando de forma competente e isenta – já que a mídia comercial dia a dia
manipula mais a noticia – confundindo enviesadamente
noticia com editorial e com opiniões particulares.
A alegação é que seguem – os MANUAIS DE REDAÇÃO da grande mídia
(pois não têm seus próprios) – como ovelhas, como gado no pasto , ou como
cavalos ou porcos que se lançam ao precipício.
O Sr.Walter e os demais
têm toda razão – em quererem seus impostos de volta.