PREFÁCIO

Ao acabar de escrever a versão primeira deste trabalho, no dia 1° de janeiro de 2000, ouvi logo cedo pela rádio uma entrevista dada por Leonardo Boff  à radio CBN.

A entrevista foi brilhante. Tanto da parte do cristão Leonardo Boff como da parte do entrevistador que era budista. O cristianismo verdadeiro, aquele que segue Jesus Cristo, e não nenhum outro, é o do Leonardo. Que foi perseguido pela Igreja, mas não se afastou do Cristo, e do seu Evangelho. Cristianismo do perseguido e jamais do perseguidor. Agora o perseguidor se tornou Papa em 2005.

Leonardo mostra bem que não haverá paz entre os humanos, paz pessoal, social e política, enquanto não houver respeito de uns pelos outros. E fala abertamente que os cristãos, judeus e muçulmanos, os “descendentes teológicos de Abraão", são os mais belicosos e desrespeitosos entre os homens. Procuram e procuraram, ao longo de toda a história, oprimindo, querendo destruir os outros, impor sua religião, sua fé, sua maneira de crer, sentir e pensar, como a única  verdadeira, agredindo e desrespeitando todos os outros humanos, a natureza, e na realidade o próprio Deus.

Precisamos abrir mão de nossa prepotência “monoteísta e xenofóbica”, de nossa arrogância, de toda intolerância religiosa, para a aceitação e o respeito do outro. Só assim poderá haver confraternização real, não só de fogos de artificio e de champanhe, para os poucos que têm esses luxos, na passagem de ano, mas em verdade.

Porque os "adoradores do Deus único” têm sido arrogantes, um estorvo para a humanidade. Os cristãos, sob o pretexto de “pregar o Cristo a toda criatura", tem na realidade destruído, exterminado, excluído, torturado, desrespeitado todos os outros. O cristianismo universalista de Leonardo, é o único, desde o início, que foi propagado pelo Cristo de Nazareth. Mas um dia, não muito depois dele viver na Galiléia. veio um outro, um inimigo disfarçado de amigo, que procurou desfazer tudo o que o Cristo de Nazareth fez.  E esse outro foi seguido, como diz o Apocalipse de São João, por todos.

Quem poderia resistir ao seu poder de persuasão?

Leonardo mostrou na entrevista que os "filhos de Abraão”[1] são os mais belicosos, racistas, excludentes dentre os homens. E arrogantemente se julgam eleitos e escolhidos.

Jesus também sabia, como Leonardo, que isso era verdade.

E através de sua Vida e de seu Evangelho, mostrou que Moisés não era regra de ciência e de verdade. Pelo contrário, ao invés da compaixão budista, ele mandava apedrejar. Odiar os inimigos. Olho por olho e dente por dente.

Como Leonardo foi perseguido pelos hipócritas, Jesus foi assassinado pelos fariseus, que ele mesmo chamava de hipócritas, raça de víboras.

Mas logo depois do Cristo de Nazareth surgiu um outro, com o objetivo de destruir, de desvirtuar a obra do Cristo. De confundir, de distorcer as palavras e o valor da vida do Cristo. Com o objetivo de deturpar a obra do Cristo, corrompendo, mentindo, enganando, seduzindo, falsificando.

Onde, nos evangelhos, encontramos a base para a Igreja ir “evangelizar” todos os povos para impor aos outros suas idéias a todos os povos?

Jesus teria dito :

“Quem crer será salvo mas quem não crer será condenado”.

Essa pretensa afirmação do Cristo de Nazareth deu base para o cristianismo massacrar tudo o que viu pela frente. Destruir, escravizar, querendo impor um evangelho à custa do desrespeito e destruição de todos os outros. Mas onde se encontra essa frase pretensamente dita pelo Cristo? Em Marcos 16. Mas a própria Igreja  reconhece que Marcos 16 de 9 em diante não foi escrito por São Marcos.

Foi uma fraude muito bem montada, um acréscimo feito mais ou menos 100 anos depois, que não existe nas cópias mais antigas de Marcos! O coitado de São Marcos nunca viu, nem escreveu o que escreveram lá fraudulentamente, usando seu nome e seu Evangelho! Foi uma fraude plantada por quem interessava distorcer o evangelho. E a Igreja, seduzida pela farsa não a percebeu, ou aceitou irresponsavelmente a falsidade ideológica e teológica cometida, e se viu enredada por ela. Editou e aceitou passivamente a “edição” dos Evangelhos, de forma irresponsável e danosa a seu conteúdo. Todo o cristianismo se viu, até hoje iludido por essa farsa.                        Nunca poderia-se aceitar uma fraude dessas, e muito menos erigir doutrinas sobre ela. Mas essa fraude e essas doutrinas interessavam a alguém.

É toda essa farsa, esse verdadeiro complô que eu desvendo neste livro.

Complô armado dolosamente para desfazer a obra universalista e humana gerada e propagada pelo Cristo de Nazareth, o Filho do Homem (para fazer com que todo o Cristianismo, abandonando o Cristo, voltasse a seguir Moisés, sua violência, sua presunção, seu caracter paternalista excludente).

E todo o povo abriu mão do Cristo de Nazareth, e preferiu seguir um outro.

O Cristo de Nazareth há de um dia prevalecer, se ouvirmos as vozes sensíveis, sábias e inteligentes, como a do Leonardo Boff. Só assim, com uma visão cristã universalista e verdadeira, conseguiremos discernir o outro, o falso e suas obras. E discernido, ele cai de podre, e perde todo o seu poder.

O caminho do desmascaramento é longo, e pode parecer um pouco complexo.

Mostraremos antes de mais nada os pontos de princípio nos quais nos baseamos para afirmar o que afirmamos.

Apresentaremos um paralelo entre a sabedoria do Cristo e a sabedoria dos Antigos, tanto do Egito como a dravídica do Indus Saraswati. Usamos para esclarecer e ilustrar, a analogia de Rama no Ramayana com o Cristo de Nazareth e sua obra verdadeira. Rama precedeu, no tempo, em muitos séculos ou mesmo milênios, o Cristo de Nazareth. Rapidamente comentamos um pouco a origem da sabedoria dos Egipcios, que salvaram Jesus em sua infância, e de onde procedeu Moisés e todo o povo que o seguiu no deserto, do qual um dia Jesus nasceu.

Depois entramos na exposição da Maldição. Porque se trata de uma maldição antiga, em que a humanidade se viu aguilhoada e reprimida, mesmo antes do Cristo de Nazareth. Mas apenas à partir dele, essa maldição se mostra tão claramente em toda sua malignidade, devido à intrínseca benignidade demonstrada pelo Cristo de Nazareth.

Desmascaramos a origem da maldição, o que no Apocalipse se mostra como o dragão. Mostramos sua origem, seu coração e seu cérebro. Na realidade, procuramos expor seus intestinos, sua imundícies mais profundas e íntimas. Seus equívocos estruturais, sua malignidade implícita, e o poder do 6 no Egito, do equívoco absoluto, da liberação do mal.

Mostramos o diagnóstico da maldição feito por Jesus de Nazareth nos evangelhos.

Mostramos o desenvolvimento da liberação da maldição no cristianismo...  até mostrarmos claramente quem é a besta que sai do mar e a besta auxiliar que sai da terra... os seguidores do dragão... os manipuladores da Verdade, os detratores do que é santo, os atormentadores da humanidade.

O outro , o Falso se revela... e por trás dele o dragão da mentira, e das falsas verdades e  santidades.

 



[1] Quem usa sempre do artifício de uma “herança em Abraão”? Judeus, cristãos e muçulmanos. Que sempre viveram em guerra nas próprias facções internas, e entre eles, num tipo de todos contra todos. Os outros de fora, são sempre desqualificados como “politeístas” ou como “sem Deus no mundo”.