Anexo à segunda edição do

666 O Outro Cristo

de Clara Dufresne

 Sobre a  Origem do Verbo em Kmt



 © 2007, Clara Dufresne. All rights reserved.



Jesus de Nazaré estava consciente de suas três atribuições:

 

 

Seu assassinato pelos líderes hebreus dá testemunho de ser o Messias – aquele que queria libertar seu povo de seus erros - e seria rejeitado.

.

Sua perfeição de caráter em vida humana,dá testemunho de ser o Filho do Homem – Hr encarnado em Pr-Aha - Pr-Aha com sua natureza humana e divina coexistindo na mesma pessoa.

 

Seus sinais tendo autoridade sobre a realidade material inclusive, sempre como fruto de seu Verbo – de seu coração através de sua palavra --, testificam sua divindade como encarnação do Verbo de Deus.

 

Já mostrei numa nota, que o Homem sai da boca da Esfinge no céu – como fruto do Verbo da Esfinge -, e foi isso o que viram e perceberam no céu os primeiros humanos que surgiram na África em tempos remotos, pelo menos uns 42000 anos atrás, desde o sul, desde a  Núbia.

 

Mas existem dados ainda mais impressionantes sobre o Verbo em Kmt.

 

Na XXV Dinastia, por volta de 716-702AC (712-698AC possivelmente), surgiu um Pr-Aha de nome Nfr-Ka-Ra (Neferkara), que ficou conhecido por sua origem Núbia, como Shabaka.

 

Assim ele ficou conhecido como  o Pr-Aha Shabaka.

 

Nfr-Ka-Ra Shabaka  reinou no Alto e no Baixo Egito.

 

A seguir ilustramos com uma imagem gravada em pedra em um templo em Tebas, Nfr-Ka-Ra Shabaka fazendo uma oferta aos Ntrw nesse mesmo templo em Tebas.

 

 

 

 

Em 1805, um cidadão chamado Earl Spencer, presenteou o Museu Britânico com uma pedra muito pesada, de um basalto muito escuro, que depois foi reconhecida como a Pedra de Shabaka, pois segundo suas próprias inscrições fora mandada preparar por esse Pr-Aha.

 

 

Essa pedra, infelizmente, depois do tempo em que recebeu inscrições por ordem do Pr-Aha Shabaka, por muito tempo foi usada como pedra de moinho. Foi bastante danificada, e muito de suas inscrições foram eliminadas pela abrasão por ter sido usada de forma tão inconveniente. Mas o Sr. Spencer a achou, percebeu as inscrições e a encaminhou ao museu.

 

No museu a pedra ficou praticamente ignorada por mais de cem anos, quando enfim alguns poucos se dignaram analisá-la melhor, e podemos ver o que ela continha em inscrições antigas:

 

 

Na parte central perfurada e usada como pedra de moinho nada sobrou, mas nas bordas e na parte superior as inscrições ainda são muito bem perceptíveis.

 

No alto, encontramos 2 linhas de hieróglifos, - linhas [1] e [2] e depois, encontramos o que seriam 62 colunas de hieróglifos – colunas [3] a [64]. Normalmente os hieróglifos mostram em que sentido devem ser lidos, pelo lado em que as figuras se apresentam. Por exemplo se os pássaros olham para a direita, deve-se ler à partir da direita, ou seja, os símbolos nos mostram a partir de que ponto devemos ler.

 

A primeira linha –[1]- é toda voltada para o centro, ou seja, é um título simétrico ou quase simétrico. Portanto lê-se à partir do centro para os dois lados.

A segunda linha –[2]- lê-se da esquerda para a direita, pois os símbolos indicam essa direção.

Os símbolos das colunas –[3] a [64]- olham para a direita, ou seja, normalmente dever-se-ia ler as colunas da direita para a esquerda no sentido de cima para baixo.

Mas a leitura nesse sentido não fazia sentido.

Descobriu-se que no caso, dever-se-ia ler ao contrário, ou seja, da esquerda para a direita e de cima para baixo. Porque essa inversão? Ninguém sabe.

 

Essa “estela” foi lida pela primeira vez no princípio do século XX, e à partir daí, sem muita ênfase, alguns estudos foram feitos.

 

Na primeira linha, no título da estela, encontrou-se o “cartucho” do faraó Nefer-Ka-Ra, conhecido como Shabaka da XXV Dinastia.

 

Nosso estudo aqui se baseia no trabalho de Wim van den Dungen, que entre 2001 e 2004 trabalhou na transcrição e interpretação do texto e verteu as inscrições para o inglês. As transcrições em hieróglifos apresentadas também são dele – ele diligentemente as copiou em visitas ao Museu Britânico.

 

A versão aproximada em português, - com base no trabalho exaustivo de van den Dungen - das duas primeiras linhas horizontais, diz o seguinte:

 

[1] Hr  vivente: das duas terras; as duas senhoras: das duas terras; o Hr de ouro: das duas terras; Rei do Alto e do Baixo Egito: Nfr-Ka-Ra, o Filho de Ra, (Shabaka), o amado de Ptah – ao- sul do- Muro, que vive como Ra para sempre.

 

 /// Essa primeira linha nada mais é que a identificação do faraó, como os faraós se identificavam, mostrando quem ele era. Todo faraó se identificava com Hr, assim o faraó se identifica como Hr vivente. Essa identificação é essencialmente litúrgica. Depois ele se identifica como Senhor das Duas Terras; como Senhor das Duas Senhoras – o abutre fêmea e a serpente – ; depois como Hr de ouro – um nome especial que era dado a cada Pr-Aha, e enfim como Filho de Ra. Todo faraó recebia vários nomes (cinco nomes), que eram usados em diferentes momentos e em diferentes cerimônias. Este faraó tem o nome principal de Nfr-Ka-Ra ou Neferkara - seu nome de entronamento como Senhor do Alto e do Baixo Egito, o nome da coroação. O nome de Filho de Ra, era o nome mais usado no dia a dia, e o dele era Shabaka. Portanto Shabaka e Nfr-Ka-Ra são a mesma pessoa.

 

[2] O que aqui está escrito foi copiado por Sua Majestade na Casa de seu Pai Ptah – ao- sul-do-Muro, porque Sua Majestade encontrou um escrito dos ancestrais que estava sendo comido de vermes, que assim não podia ser compreendido inteiramente, do princípio ao fim. Sua Majestade o copiou de tal forma que o escrito ficou melhor do que anteriormente, de forma que seu nome permaneça e que seu monumento permaneça na Casa de seu Pai Ptah-ao-sul-do-Muro por toda eternidade, como um trabalho feito pelo Filho de Ra (Shabaka) para seu Pai Ptah-Tenen, para que ele viva para sempre.

 

/// O faraó Shabaka relata que encontrou no templo de Ptah em Pe (Menfis), o local sagrado da coroação de todo Pr-Aha, um papiro antigo que estava semi-destruído por traças ou “vermes”, e que percebendo a importância do documento mandou inscrevê-lo em pedra, como uma estela, em basalto, e que esta estela fosse guardada no templo de Ptah. Assim ele preservaria a estela e o escrito para a posteridade, em seu nome e em nome de Ptah.

 

Vemos então que a mensagem que ele encontrou escrita no pergaminho que estava sendo comido pelos vermes, está nas 62 colunas de hieróglifos, em parte destruídas pelo mau uso da estela de pedra, com o tempo.

 

As 5 primeiras colunas, lidas da esquerda para a direita, dizem o seguinte:

 

[3] Ele é Ptah, conhecido pelo grande nome: Tenen

[4] Ele que uniu esta terra do Sul como Rei do Alto Egito e esta terra do Delta como Rei do Baixo Egito.

[5] (linha vazia)

[6] Ele deu origem a Twm, que deu origem à Eneade

 

/// Nessas cinco primeiras colunas se identifica de quem e do que se está tratando: da ação e da pessoa de Ptah, também conhecido como Ptah-Tenen, o Ntr Ptah.Tenen é o nome da matéria que sai do Caos original. Depois veremos mais sobre o Caos original e o que significa. Logo nos primeiros capítulos deste trabalho procurei mostrar quem é Twm, o Ntr Twm, como aquele que intrinsecamente condiciona o desenvolvimento do nosso Universo, conhecido como um número – número como entidade e não como mera quantidade - na realidade um sistema harmônico de desenvolvimento caracterizado por uma entidade numérica com características próprias. Assim o texto explica que Ptah deu origem a Twm, ou seja, Ptah fez com que o universo se desenvolvesse conforme o condicionamento da harmonia de Twm. Dessa forma surge a “Eneade”, ou os 9 Ntrw que regem o tempo – entraremos em maiores detalhes sobre a Eneade depois. Vimos como a terra e o céu são regidos por harmonias de forma cíclica. O exemplo que sempre damos é o ciclo anual das estações, que pelo movimento relativo da Terra com o Sol, faz com que a intensidade e a declividade da luz solar que incide sobre nós mude, gerando assim a floração na primavera e a queda das folhas no outono, por exemplo. Da mesma forma, outros ciclos mais amplos foram percebidos em Kmt, como o da precessão dos equinócios, um ciclo de uns 26000 anos para que se tenha uma circunvolução completa de toda a eclíptica – com suas 12 constelações do zodíaco – pelo movimento oscilatório do eixo da Terra. Em Kmt se sabia que como no ano a declividade afetava a luminosidade e a luminosidade afetava a vida, assim também este ciclo maior afetava a vida, e viram ao longo de milênios as relações entre a precessão dos equinócios no céu e a “regência” de nove Ntrw (a Eneade) na terra. Essa Eneade tem origem em Twm (f) que tem origem em Ptah.

 

As colunas seguintes:

 

[7] Geb comandou que a Eneade se juntasse a ele. Ele julgou entre Hr e Sth;

[8] ele pôs um fim a sua animosidade. Ele instalou Sth como Rei do Alto Egito na terra do Alto Egito, no lugar onde ele nasceu, em Sw. E Geb fez Hr Rei do Baixo Egito, no lugar onde seu Pai foi afogado

[9] o que consiste a “divisão das duas terras”. Assim Hr ficou em uma região e Sth em outra região. Eles fizeram a paz entre as duas terras em Ayan. Essa foi a divisão das duas terras.

 

/// Geb é a Terra (Ntr Terra) e também faz parte da Eneade. Ele é o Pai de Wsr, Seth, Isis e Nephthys. Wsr é o Pai de Hr. Vemos que a luta de Hr com Sth é mítica, ancestral. Mas como a Eneade reflete as regências na terra, ela também se mostrará na história. A luminosidade da primavera também é ancestral – a Terra gira em torno do Sol há bilhões de anos -, e também se torna história a cada primavera. Como vimos ao longo deste trabalho, ao se designar como Filho do Homem, Jesus de Nazaré se identifica como Hr. No Evangelho de João ele diz que tem inimigos antigos entre os hebreus, - quando diz em João 10, que “Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores” - e em Mateus ele diz que teria depois um outro inimigo, um homem inimigo plantador de joio – no meio do trigo que era o seu Verbo, a Palavra que saía por sua boca como o fruto de seu coração. No Apocalipse ele chama o inimigo antigo como dragão e o homem inimigo novo como a besta que sai do mar. Esses inimigos de Hr, o Filho do Homem, consistem NA HISTÓRIA  a personificação de Sth (na liturgia).

 

Continuando:

 

[10a] Geb  diz a Sth: “Vá para o lugar onde você nasceu”

[10b] Sth responde: O Alto Egito.

[11a] Geb diz a Hr: “Vá para o lugar onde seu Pai foi afogado”

[11b] Hr responde: O Baixo Egito.

[12a] Palavras de Geb para Hr e Sth: “Eu os separei”

[12b] Alto e Baixo Egito

[10c, 11c, 12c] Então pareceu errado a Geb que a porção de Hr fosse igual à porção de Sth. Então Geb deu a Hr sua herança, por que ele é o filho de seu primogênito.

[13a, 13b] Geb fala à Eneade: “Eu escolhi Hr, o primogênito”

[14a, 14b] Geb fala à Eneade: “ Apenas a ele, Hr, a herança”

[15a, 15b] Geb fala à Eneade: “ Para seu herdeiro, Hr, minha herança”

[16a] Geb fala à Eneade:  “Para o filho de meu filho,...

[16b] Hr,  o Chacal do Alto Egito...

[17a, 17b] Geb fala à Eneade: “ O primogênito, Hr, Aquele que abre os caminhos”

[18a] Geb fala à Eneade: “ O filho que nasceu ...

[18b] Hr, no aniversário Daquele que abre os caminhos”

 

/// Vemos aqui que começa um diálogo entre Geb – a Terra – a terra separada do Céu – a terra que Jesus de Nazaré dizia que queria que fosse assim na terra como no céu – Geb que é a terra, que havia separado Hr e Sth que têm em si uma semente de inimizade ancestral – como a primavera traz em si a semente ancestral da floração e da renovação – divide as autonomias de Hr e Sth... mas depois decide dar a herança da terra apenas a Hr.

Quando Jesus de Nazaré se identifica como Hr, como o Filho do Homem, em outras palavras ele está entre outras coisas reivindicando a si mesmo a sua herança da terra. Por isso ele pode dizer... bem aventurados os  mansos porque herdarão a terra  - ele, o manso e humilde de coração herdou a terra – herança prometida por Geb, a própria terra. Porque Geb dá a herança a Hr, e não a Sth, nem divide a herança? Porque Hr é o Filho do Homem, o primogênito de Wsr. Wsr é filho de Geb, O HOMEM É FILHO DA TERRA. Simbolicamente Wsr é o Ntr que significa o homem, e Hr é o Ntr que é o Filho do Homem. Ele recebe da terra a herança dela mesma. Ao que tudo indica, Geb ao explicar algo sobre Sth, chamando-o de Chacal do Alto Egito - pelo mau uso da pedra, as palavras se perderam e não podemos ter a complementação da frase. Por outro lado Hr é Aquele que abre os caminhos. Jesus diz depois que ele é o Caminho. Jesus, sendo protegido pelo Egito, vivendo no Egito, se reconheceu no Egito e percebeu que o Egito era onde se falava dele e de sua herança. Ele foi como um bebê necessitado de socorro para o Egito - e voltou com a certeza de ser Hr, o Filho do Homem.

 

Continuando:

 

[13c, 14c] Então Hr se colocou na terra, ele é o unificador da terra,  proclamado em Tanen-ao-sul-deste-Muro, Senhor da Eternidade. Então germinaram em sua cabeça os dois Grandes em Magia. Ele é Hr, coroado Rei do Alto e do Baixo Egito, que une as duas terras no Muro Branco, no local onde as duas terras se unem.

[15c, 16c]  O Junco (planta emblemática do Alto Egito – nota minha) e o papiro (planta emblemática do Baixo Egito) foram colocados na porta dupla da Casa de Ptah. Isso significa: Hr e Sth, pacificados e unidos. Eles confraternizam e assim acaba a disputa, onde quer que estejam, unidos na Casa de Ptah, que “Equilibra as duas terras”, em quem Alto e Baixo Egito foram pesados. Essa é a terra...

 

/// Hr personifica Pr-Aha, o Senhor das duas terras, ou o Senhor da Dualidade. Na história essa dualidade se mostra nas duas terras do Alto e do Baixo Egito, onde surgiu a ancestralidade humana. Somos fruto do passado, de nossa ancestralidade, a nossa história ancestral é nossa genética. Somos fruto da história de nosso passado, e no presente plantamos a história de nosso futuro, como humanidade. Hr personifica Pr-Aha, o Filho do Homem, o Filho de Wsr. Assim Jesus de Nazaré se identificava, porque assim se via e se percebia. Ele é coroado Pr-Aha, o Filho do Homem, o Ntr e Homem ao mesmo tempo em essência, em Tanen-ao-sul-do-Muro. O Muro Branco, construído por Menes, na I Dinastia. Um Muro, um Lugar com um significado escatológico/mítico/místico/litúrgico muito importante. Ali eram coroados todos  Pr-Aha do reino unificado, como foi coroado Hr. Ao lado de Pe – ou Menfis – cidade da Casa de Ptah. Jesus hoje é Pr-Aha como Hr vivente, MAS O REINO NÃO FOI UNIFICADO AINDA. Ainda não vemos na terra como no céu. A luta e Hr e Sth está em pleno vigor.

 

Continuando:

 

[17c] .... o enterro de Wsr na Casa de Swkar.

[18c, 19] Isis e Nephthys sem demora, porque Wsr se afogava na água. Isis (e Nephthys) viram. .... ele se afogando...

[20ªa] Hr fala a Isis e Nephthys: “Corram, peguem-no ... “

[21a] Isis e Nephthys falam a Wsr: “Chegamos, vamos pegá-lo ...”

[20b, 21b, 22]  ... e o trouxeram para .... a terra na fortaleza real, ao Norte de ...

[23] Lá foi construída a fortaleza real ...

[24a] Geb fala a Tehuti: ...

[25ab – 30a] ...

[31a – 35a] ...

[27b] Geb fala para Isis: ...

[28b] Isis faz com que (Hr  e Sth) venham.

[29b] Isis fala a Hr e Sth: “ ...”

[30b] Isis fala a Hr e Sth: “façam a paz ...”

[31b] Isis fala a Hr e Sth: “ A vida será agradável para você  quando... “

[32b] Isis fala a Hr e Sth: “ é ele quem seca suas lágrimas... “

[33b – 35b] Isis fala a ...

[36 – 47]

 

/// O texto está tão danificado nessa parte da pedra que nada pode-se depreender completamente. Percebe-se que Isis, Nephthys, Hr e Sth tratam da história de Wsr e das conseqüências dessa história – a origem ancestral da inimizade visceral de Hr e de Sth . (sugiro a leitura de “De Iside e de Osiride” de Plutarco – um volume de sua “Moralia” – para que se conheça melhor essa história)

 

Assim termina o relato do lado esquerdo da estela de Shabaka. Ao lado direito encontramos o que podemos considerar propriamente dita a Teologia de Ptah ou a Teologia de Pe, ou de Menfis – onde vemos o que significa o Verbo de Deus e a origem dessa forma de se expressar o Princípio. Depois um dia João escreverá no seu Evangelho: “No princípio era o Verbo... e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus...”

 

[48] Os Ntrw que se manifestam em Ptah:

[49a] Ptah-sobre-o Grande-Trono, ...

[49b] (Ptah) ... que deu origem aos Ntrw.

 

/// Aqui nós vemos a menção da Unidade na Diversidade. Ptah que é Único, nele se manifesta a pluralidade de manifestações como Ntrw. Os Ntrw tiveram sua origem em Deus, porque estavam já fazendo parte da essência de Deus. Assim eles se manifestam em Deus, como uma manifestação de Deus, sem alterar a Unidade desse Deus. Essa Unidade na Diversidade é mostrada por Jesus como a Unidade numa Trindade, porque a Trindade implica na Diversidade.

 

 

[50a] Ptah-Nun, o Pai que deu origem a Twm.

 

/// nós vimos exaustivamente que Twm (f) significa uma harmonia que condiciona o desenvolvimento em nosso universo. Essa harmonia criadora e geradora, ao mesmo tempo condicionadora do real, desenvolvida como Twm, tem sua origem em Ptah como Pai de Twm. Twm é a forma, Ptah a essência que produz a forma. Mas aqui Ptah é reconhecido como Ptah-Nun. Nun é o Caos primordial, o Caos ancestral. Hoje em dia muito se fala, em física, em matemática e em toda ciência de Caos Determinístico e em “teoria do Caos”. É o mesmo caos. Caos é tudo o que “a partir da divergência de um ponto inicial, ainda não é mas pode vir a ser”. Como potência. Um sistema caótico e determinístico é um sistema onde – de forma ordenada e não aleatória – uma série de coisas, à partir de um mesmo início, ou praticamente e um mesmo início, pode acontecer. Não sabemos quando nem onde, nem mesmo como vai acontecer, mas sabemos que pode acontecer, e quando acontecer acontecerá segundo uma ordem pré-determinada de possibilidades. Assim é o Caos como Nun. Um universo poderia acontecer. Como, quando e exatamente como ele se concretizaria? Não poderíamos saber, MAS PODERÍAMOS SABER QUE PODERIA ACONTECER. Por causa do Caos de Nun. Desse Caos, em dado momento, por algum motivo e  de certa forma – deixando de ser Caos como possibilidade – mas como algo que passa a ser e existir – como Tenen - tem sua origem em Ptah-Nun – através da forma de Twm.

 

[50b] (Ptah) ... que deu origem aos Ntrw.

[51a] Ptah-Naunet,  a Mãe que deu à luz Twm;

 

/// Naunet é o lado feminino do Caos, de Nun – se Ptah-Nun é o Pai de Twm, Ptah-Naunet é a Mãe de Twm.

 

[51b] (Ptah) ... (que deu origem aos Ntrw);

[52a] Ptah-o-Grande , coração e língua da Eneade;

 

/// A partir daqui poderemos começar a compreender o Verbo que era no princípio, do qual João fala no seu Evangelho e no Apocalipse que um dia virá montado num cavalo branco, - que virá fazer Justiça (Maat), com seu nome, Verbo de Deus escrito na coxa, e que no leito de morte João explicou melhor no seu Evangelho. Ptah o Grande é CORAÇÃO  E LÍNGUA. Ele sente e pensa com o coração, e age através da língua. O Verbo é o coração de Deus expresso como palavra. O Verbo que manifesta pela língua o que guarda o coração. Jesus repetiu exatamente isso. A boca fala do que está cheio o coração.O Verbo então é o resultado, como Palavra de Deus, do coração e da fala de Deus. Se Deus não sentisse e não pensasse em seu coração, não falaria. E se não falasse, se não se manifestasse, nada existiria.

 

[52b] (Ptah) ... Nfr-Tm diante da face (literalmente do nariz) de Ra cada dia;

[53] Surgiu no coração; Veio à língua, como a imagem de Twm! Ptah é o Grande que dá a vida a todos Ntrw. Pelo seu coração e pela sua língua (pelo Verbo)

[54] Hr veio à existência nele; Twth veio à existência nele, como Ptah. O Poder surgiu no coração e pelo Verbo e em todos os membros, de acordo com o ensinamento que está em todo coração, em todos os corpos, e a língua está na boca de todos os Ntrw, de todos os homens, de todo gado, de tudo o que rasteja, e em tudo o que tem vida; pensando com o coração e ordenando pelo Verbo!

 

/// O Verbo de Deus cria a vida – vida em Kmt significa existência. O Verbo de Deus gera a existência. Como criação do universo, e como criação de nossa consciência.  Quando vemos a realidade material e como ela se desenvolve; quando vemos a vida na natureza e como ela se desenvolve, então percebemos que a progressão harmônica condicionante de Twm atua na materialidade do universo. Neste sentido então Ptah como o Pai de Twm, ele se identifica com o Pai de Jesus de Nazaré, pois Jesus demonstrava um poder e autoridade também sobre a materialidade do universo, transformando água em vinho com sua Palavra de autoridade. O Verbo, que se formava no coração de Jesus e fluía por sua palavra como uma semente – seu trigo. Jesus atuava na matéria pelo Verbo. Suas curas, sua ação sobre a tempestade, seu controle sobre o mar, mudando água em vinho, multiplicando pães e peixes, ressuscitando Lázaro, curando enfermos, cegos, surdos e mudos, portadores de deficiência, ele fazia como Ptah, como Hr: pelo coração e pela palavra. Ele percebia, sentia em seu coração, falava e acontecia, na materialidade do universo. Por outro lado, também podemos compreender o desenvolvimento da história, não só humana, mas do universo. O Verbo atua e transforma a história, pelo crescimento de nossa consciência. Portanto, num e noutro sentido, o Verbo de Deus atua criando e transformando, primeiro em Ptah, o Pai – pelo desejo de seu coração e pela emissão de sua palavra -, através do condicionamento de Twm. Depois pelo Filho do Homem, Hr, a quem foi dada em herança a terra, o habitat do homem. Ambos, pelo Verbo – pelo coração que se manifesta pela palavra -, demonstram a mais absoluta autoridade sobre tudo e sobre todos. “Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não hão de passar”. Como o coração e as palavras de Seu Pai, Ptah-Tenen, jamais passarão.

 

[55] A Eneade de Ptah está diante dele como coração, como ordenança, dentes e sêmen, como os lábios e as mãos de Twm. A Eneade de Twm surge pelo seu sêmen, e por seus dedos. Certamente a Eneade de Ptah, são como os dentes e aos lábios na boca, proclamando os nomes das coisas, como Shu e Tefnut surgiram nele e

[56] que deu origem à Eneade de Ptah. A vista dos olhos, o ouvir dos ouvidos,  e o respirar o ar do nariz, eles transmitem para o coração, o que faz com que surja toda decisão. Assim, a língua repete o que está no coração. Assim tiveram origem todos os Ntrw. A Eneade de Ptah se completou. Toda Palavra do Ntr surgiu através dos pensamentos no

[57] coração e com o comando do Verbo. Assim toda a capacidade de perceber e testemunhar foi criada e todas as qualidades determinadas, aqueles que fazem todas as comidas e provisões,  pelo Verbo . Justiça é  feita sobre os que fazem coisas amáveis, e punição para aquele que faz o que é odioso. Assim a vida é dada aos que promovem a paz, e morte aos criminosos. Assim foram criados os trabalhos, as habilidades, a ação dos braços e o mover das pernas.

 

/// A Eneade de Ptah e a Eneade de Twm. A Eneade de Ptah é a Eneade desejada por seu coração, e depois tornada real por seu Verbo. Que Eneade é essa:

1.Ptah

2.Shu e Tefnut

3.Geb e Nut

4. Wser e Isis; Sth e Nephthys

Mas Ptah gera a Eneade, então ele está além dela. Em seu lugar, Ptah coloca Hr como seu herdeiro.

Essa mesma Eneade é a Eneade de Twm. A diferença é que em Ptah ela começa no coração e se realiza pelo Verbo. Em Twm ela começa com a semente e se realiza pelos dedos, pelas mãos. Mas sem o coração de Ptah não haveria o Verbo; assim como se não houvesse o Verbo não haveria a semente. E sem a semente não haveria universo nem vida.

Jesus diz a mesma coisa, exatamente. De seu coração sai sua palavra. Sua palavra se faz semente – que ele chama de trigo – que dará seu fruto, pelo trabalho das mãos de seus seguidores. Como Ptah, como Twm. Como o Pai, como o Espírito Santo.

No seu coração Ptah gerou Shu e Tefnut – Shu o espaço e Tefnut a umidade/materialidade no espaço.

Da união de Shu e Tefnut nasceram Geb – a terra – e Nut – o céu.

Da união de Geb e Nut nasceram Wsr e Isis – o Homem e a Mulher – Seth e Nephthys – o Adversário/Inimigo do Homem e a Amiga da Mulher.

Da união de Wsr e Isis nasce Hr, o Filho do Homem e o Herdeiro de Ptah – como o  Verbo de Ptah – ele encarnará em si o Céu e a Terra, e terá em si a Palavra da Verdade (Twth-Maat).

Essa Eneade tem então vários significados dependendo do contexto e do ponto de vista.

Do ponto de vista do correr da história, conforme mostram a Pedra de Palermo e o Papiro Real de Turim, a Eneade governa a terra  numa seqüência dinâmica de regências de períodos precessionais de tempo, que dizem respeito à renovação e desenvolvimento da história do universo, do planeta e do homem. Na escala considerada em Kmt, de dezenas de milhares de anos, os governos são do homem, já que para o universo e mesmo para o planeta a escala teria de ser outra, medida em milhões ou bilhões de anos – como já vimos nos Yugas indianos conhecidos no Hindus-Saraswati – uma escala global dos Yugas cosmológicos para o planeta e para o universo -  e uma de Manvantaras para o homem:

 

Ptah – Twm (inicio de tomada de consciência) a uns 40-50 mil anos atrás;

Shu

Geb

Wsr

Sth

Hr

Twth

Maat

Hr

 

 Com o segundo período de Hr, termina o reinado dos Ntrw segundo a Pedra de Palermo e o Papiro Real de Turim. Inicia-se um período de regência dos Shemsw-Hr -  seguidores de Hr -, por umas 5 precessões – pouco mais de 12 mil anos -, e o ciclo recomeça.

 

Ptah-Twm

Shu

Geb – a cerca de uns 6/7000 anos AC, quando politicamente  se dividiram as terras entre Norte e Sul.

Wsr começa a cerca de 4000 anos AC a reger – quando tem início o reinado humano – Pr-Aha passa a reinar diretamente da terra, como Ntr e como Homem.

Sth começa a reinar aproximadamente em 2000 AC – quando os ”pastores  asiáticos” “migram” para Kmt... e depois querem dominar como hiksos primeiro, militarmente, e depois como a heresia amarniana, como um câncer internalizado.

Hr – na nossa era de Peixes – Jesus de Nazaré como Hr, que luta com Sth pela humanidade, como pelo corpo de Wsr, seu Pai (a luta do Cristo contra o dragão e as duas bestas do Apocalipse).

Twth reinará no Aquário – a ciência e a sabedoria

Maat a Justiça reinará no Capricórnio

Hr voltará a reinar, depois de Maat, e então o seu reino será deste mundo – se o homem não inviabilizar sua vida neste mundo – quando pelo menos um remanescente seguirá Hr.

 

Isso se o planeta – pela ação da segunda lei da termodinâmica    suportar nossas interferências sobre ele -, que independem do desenvolvimento moral da história humana – mas dependem de nossa superpopulação e de afetarmos inapelavelmente o frágil sistema ecológico no qual existimos – a Terra é uma realidade finita – e limitada em seus recursos.

 

[58] Os movimentos de todos os membros, de acordo com o Verbo que tem origem no coração e surge pela língua, tudo é criado. Assim surgiu o ditado de que Twm, que criou os Ntrw, disse sobre Ptah-Tenen :” Ele como um Pai deu origem aos Ntrw! ” Dele tudo veio a luz: alimentos, provisões,

[59] ofertas, todas as coisas boas. Então Twth entendeu e escreveu que ele é o Grande Deus. E assim Ptah ficou satisfeito depois de ele ter criado todas as coisas através de seu Verbo.  Ele deu vida aos Ntrw, ele fez cidades, ele estabeleceu as terras, ele colocou os Ntrw em seus santuários,

[60] Ele estabeleceu suas oferendas,  ele estabeleceu seus santuários, ele fez seus corpos de acordo com a vontade deles. Então os Ntrw tomaram corpo em todas as formas de madeira, em todo tipo de pedra, em toda qualidade de barro, em tudo o que cresce  ele,

[61] de acprdo com o que vieram a ser. Assim todos os Ntrw, e seus Ka’s (seus significados) se juntaram a ele, felizes com o Senhor das Duas Terras. O Grande Trono  que alegra o coração dos Ntrw na Casa de Ptah é a fonte de sustento de toda a vida, através do qual o sustento das Duas Terras se mantém,

[62] porque Wsr foi afogado em suas águas. Isis e Nephthys correram ajudá-lo. Hr logo mandou Isis e Nephthys pegar Wsr e impedir que ele afundasse.

[63] Elas acorreram a tempo e o levaram para a terra. Ele adentrou os portais secretos na glória dos Senhores da Eternidade, seguindo os passos daquele que se levanta no horizonte, no caminho de Ra para o Grande Trono.

[64] Ele adentrou no palácio onde se juntou aos Ntrw de Ptah-Tenen, Senhor dos Anos. Assim Wsr veio para a terra, para a Fortaleza Real, ao Norte da terra na qual ele havia ido.Seu filho Hr levantou-se como Rei do Alto Egito, levantou-se como Rei do Baixo Egito, no abraço de seu pai Wsr e dos Ntw em fronte dele e por detrás dele.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mostramos em seguida a transcrição legível da esquerda para a direita em linhas horizontais, das colunas centrais da Teologia de Ptah, da coluna [53] à coluna [60] – também um trabalho de Dungen.

 

 

 

 

 

 

Mostramos a seguir outra transcrição de Dungen, mas copiando como no original da Estela de Shabaka, a parte das colunas referentes à parte central da Teologia de Ptah ([53] a [60]), mas com o acréscimo de partes das duas linhas primeiras horizontais correspondentes. Note-se que Dungen inverte a face das figuras de lado em algumas colunas, se comparadas com o original apresentado na página a seguir

 

 

 



Nota1:

Heródoto, o historiador grego, escreveu sobre Pr-Aha Shabaka, mas não toca na Pedra de Shabaka. Ele conta sobre o final do reinado de Shabaka em Kmt, que foi o que me impressionou, no capítulo CXXXIX do livro II de sua “Historia”:

“O Egito, segundo os sacerdotes (sacerdotes amigos de Heródoto e dos gregos- nota minha) libertou-se do domínio de Shabaka de maneira calma e inesperada. Certa noite, o usurpador (ele chama Shabaka de usurpador – por ser núbio e não grego? – nota minha) viu ou pareceu ver em sonhos um homem que o aconselhava a reunir todos os sacerdotes do Egito e cortá-los em duas partes. Refletindo sobre essa visão, pareceu-lhe discernir naquilo um pretexto dos Ntrw para fazê-lo violar o respeito devido às coisas sagradas, acarretando-lhe um castigo da parte dos próprios Ntrw ou dos homens. Resolveu não fazer o que lhe sugerira a visão, julgando mais prudente retirar-se do país, tanto mais que já havia decorrido o período em que devia reinar no Egito. Segundo a previsão dos oráculos etíopes que ele consultara quando se achava na Etiópia, deveria reinar no Egito durante cinqüenta anos. Como esse tempo já havia expirado, e ante a estranha visão que o deixara perturbado, decidiu retirar-se voluntariamente do país”

Impressionante! Parece que Shabaka recebeu a expressa orientação de ir reinar no Egito, para recuperar o papiro de Ptah, e preservá-lo para a posteridade numa pedra de basalto, que mesmo depois de carcomida pois usada como pedra de moinho, e depois mesmo esquecida nos porões do Museu Britânico, um dia viria a luz e esclareceria um mistério escondido sobre o Verbo de Deus, que um dia se fez carne, e habitou entre nós... há já uns dois mil anos atrás!

Pensem nisso... os atos de Pr-Aha Nfr-Ka-Ra Shabaka repercutem na história, mais de 2700 anos depois, de forma decisiva...

Nota2:

Numa nota sobre o Verbo, mostramos que o que os nossos ancestrais viram na Núbia, a uns 42000 anos atrás ou mais, foi a Esfinge no céu, e da boca da esfinge, como o produto de seu Verbo, o Homem como Wsr.

Mas existe mais um detalhe que queremos mostrar aqui: De onde sai, aos olhos dos ancestrais, a Esfinge?  Ela toda noite surge lentamente (durante milhares de anos quando aparecia pela precessão a Esfinge no céu – que desaparecia totalmente durante milhares de anos, e de repente começava a surgir de novo...). Como emergindo do horizonte no céu noturno, como o Sol faz durante o dia.

Daí duas considerações:

A analogia da Esfinge com o Sol, e

principalmente, pela forma como ela surge no céu, ela surge como que emergindo do Caos – Nun – primordial.

Assim existe, é imanente, a analogia entre Ptah-Nun/Esfinge/Ra, o que também explica a Unidade na Diversidade em Kmt.

O Verbo criador, O que estava em Princípio com Deus e que é Deus, é o Verbo percebido pela boca da Esfinge, que é o mesmo Verbo que surge no coração de Ptah e se mostra pela palavra de Ptah, que é como o Verbo que se forma no coração de Jesus e se mostra como a palavra de Jesus... transformando o real... como a palavra de Ptah-Nun gera Twm que gera o real...

Coração –> Palavra = Verbo que se torna Semente -> que gera e transforma o real.

Quando o Coração é o de Deus. Ou que está em uníssono com Ele. Como estava o coração de Pr-Aha Jesus.

 

Mais sobre o Assunto:

---Herodoto : História, Ediouro 1985.

---Hare, T. : Remembering Osiris, Stanford University Press - Stanford, 1999, p.172.


---Frankfort, H. : Kingship and the Gods, University of Chicago Press - Chicago, 1979, chapter 2.


---British Museum (
http://www.thebritishmuseum.ac.uk/compass/index.html), search = The Shabako Stone.


---Breasted, J.H. : "The Philosophy of a Memphite Priest.", in : Zeitschrift für ägyptische Sprache und Altertumskunde, 1901, pp.39-54.


---Erman, A. : Ein Denkmal memphitischer Theologie, Sitzungsberichte der Preussischen Akademie der Wissenschaften, Philosophisch-historische Klasse, Verlag der Akademie der Wissenschaften - Berlin, 1911, 43.


---Erman, A. & Grapow, H. : Wörtenbuch der ägyptischen Sprache im Auftrage der deutschen Akademien, Akademie Verlag - Berlin, 1957-63.
---Frankfort, H. : Ancient Egyptian Religion, Harper & Row - New York, 1961, p.18.


---Sethe, K. : "Das 'Denkmal memphitischer Theologie', der Schabakostein des Britischen Museums, in:Unters.z. Gesch.u. Altertumskunde Ägyptens, Leipzig, 1928, n°10, part 1.


---Junker, H. : Die Götterlehre von Memphis (Shabaka-Inschrift), Abhandlungen der Preussischen Akademie der Wissenschaften, Philosophisch-historische Klasse, Verlag der Akademie der Wissenschaften - Berlin, 1939, 23.


---Rossini, S. & Schumann-Antelme, R. : Nétèr : Dieux d'Egypte, Trismegiste - Paris, 1992, pp.12-13.


---Faulkner, R.O. : The Ancient Egyptian Pyramid Texts, Oxford University Press - Oxford, 1969, p.327.
---Budge, W.E.A. : The Gods of the Egyptians, Dover - New York, 1969, vol.1, p.113.


---Te Velde, H. : Seth, God of Confusion, Brill - Leiden, 1977, p.27.


---Dungen, van den, W. note: The hieroglyphs of the Shabaka Stone were collected first hand at the British Museum (last week of November 2001 and first week of October 2004). Their translation was assisted by all major studies. However, the author found several important mistakes in more than one of them (wrong measurements, wrong assessment of spatial grammatics and worn areas, bad translations, elimination of important hieroglyphs, etc.). To clarify these issues, a physical study of the Shabaka Stone became necessary. The following translations were however very helpful :


[Allen, J.P. : Genesis in Egypt : The Philosophy of Ancient Egyptian Creation Accounts, Yale Egyptological Seminar - New Haven, 1988, pp.43-44.]


[Erman, A. : Ein Denkmal memphitischer Theologie, Sitzungsberichte der Preussischen Akademie der Wissenschaften, Philosophisch-historische Klasse, Verlag der Akademie der Wissenschaften - Berlin, 1911, 43.]


[Junker, H. : Die Götterlehre von Memphis (Shabaka-Inschrift), Abhandlungen der Preussischen Akademie der Wissenschaften, Philosophisch-historische Klasse, Verlag der Akademie der Wissenschaften - Berlin, 1939, 23.]


[Wilson, J.A. : "The Memphite Theology of Creation." in : Pritchard, J.B. : The Ancient Near East : An Anthology of Text and Pictures, Princeton University Press - Princeton, 1958, pp.1-2.]


[Sethe, K. : "Das 'Denkmal memphitischer Theologie', der Schabakostein des Britischen Museums, in : Unters.z. Gesch.u. Altertumskunde Ägyptens, Leipzig, 1964, n°10, part 1.]


[Breasted, J.H. : Development of Religion and Thought in Ancient Egypt, Pennsylvania University Press - Pennsylvania, 1972, pp.42-48.]


[Daumas, F. : La Civilisation de l'Égypte Pharaonique, Arthaud - Paris, 1987, p.269.]


[Lichtheim, M. : Ancient Egyptian Literature, University of California Press - California, volume I, 1975, pp.51-57.]


[Allen, J.P. : Genesis in Egypt : The Philosophy of Ancient Egyptian Creation Accounts, Yale Egyptological Seminar - New Haven, 1988, pp.43-44.]

 

Baseamos nossa versão simplificada das inscrições na Estela de Shabaka, no estudo aprofundado desenvolvido e publicado por Wim van den Dungen                                                                                                                                                                                       

 

 


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